Em 31 de agosto de 2026, o portal Terra noticiou que Brasil e Estados Unidos retomaram as conversas sobre o chamado “tarifaço”, após um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrido em 21 de agosto. Naquela segunda-feira (31/08), os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, participaram de uma reunião virtual com o representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, para tratar das novas tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

De acordo com nota divulgada conjuntamente pelo Itamaraty (MRE) e pelo MDIC, o objetivo do encontro foi avançar nas negociações em torno de duas decisões recentes do governo norte- americano, que aplicou sobretaxas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo brasileiro afirmou estar disposto a dialogar com as autoridades dos EUA, destacando os laços tradicionais de amizade e a relação comercial considerada mutuamente benéfica entre os dois países.

Ao mesmo tempo, os ministros deixaram claro que o Brasil discorda das medidas. Segundo o comunicado, as tarifas são unilaterais, não se alinham às normas multilaterais de comércio e se baseiam em justificativas que, na avaliação de Brasília, não condizem com as práticas reais adotadas pelo país. O texto classifica o tratamento dado ao Brasil como injusto e discriminatório.

Durante a videoconferência, Brasil e EUA concordaram em realizar novos encontros em nível ministerial nas próximas semanas, para avaliar o andamento das tratativas e das reuniões técnicas que ainda serão feitas. As futuras conversas poderão ocorrer de forma virtual ou presencial. Os Estados Unidos se limitaram a dizer que estão abertos ao diálogo, sem antecipar se haverá recuo nas tarifas.

A reportagem lembra que, até o momento, foram anunciados dois “tarifaços” contra produtos brasileiros: uma sobretaxa de 25%, associada a alegadas práticas desleais do Brasil em setores como PIX, desmatamento e etanol; e uma tarifa adicional de 12,5%, vinculada à acusação de que o país, ao lado de outras nações, não teria sido eficaz em impedir a entrada de mercadorias produzidas em áreas onde há uso de trabalho forçado. O governo brasileiro, por sua vez, afirma que continuará buscando um acordo equilibrado e benéfico para ambos os lados, mantendo como princípios o respeito ao diálogo e à soberania nacional.